COEP e Coppe/UFRJ homenageiam Betinho com evento

     

O COEP e Coppe/UFRJ realizaram um evento em homenagem a Herbert de Souza, o Betinho, no dia 9 de agosto, data em que se completaram 20 anos da morte do sociólogo. Realizado no auditório da Coppe na Cidade Universitária, o encontro teve como convidado especial o teólogo e professor emérito da UERJ Leonardo Boff e contou com a presença da viúva de Betinho, Maria Nakano, e de diversas pessoas que conviveram e militaram com ele.

Auditório

Na ocasião, o COEP lançou o site “Betinho: Celebrar uma História – 5 princípios e um fim” e lançou o prêmio “Imagens de Cidadania”, que propõe que os participantes criem vídeos curtos com ideias ou iniciativas relacionadas a um ou mais dos cinco princípios da democracia segundo Betinho: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade.

Em sua fala, o professor emérito da Coppe/UFRJ Luiz Pinguelli Rosa ressaltou ser “emocionante celebrar Betinho num momento em que ele faz tanta falta” e afirmou que a homenagem representa uma oportunidade para que todos se inspirem na capacidade de mobilização, de arregimentação e de cidadania de Betinho em torno de causas justas. Ele concluiu afirmando que, nesse momento de enormes desafios para o país, “por menor que seja nossa atuação, ela é indispensável”.

O presidente do COEP, André Spitz, destacou que a celebração não é apenas para lembrar Herbert de Souza, mas incentivar para que todos façamos algo inspirados em suas ideias e ações. “Betinho se preocupava com as questões que nós estamos vivendo no momento, como a discussão sobre o que é público, a questão da ética na política. Ele tinha visões que permanecem muito atuais e inspiradoras. Depois de tanto tempo, continuamos com a mesma agenda de 20 anos atrás, mas naquele momento tínhamos uma sociedade muito mais mobilizada”. A proposta do site, explicou, é reler Betinho e encontrarmos um ponto em comum para construirmos uma agenda positiva para a sociedade civil.

O pró-reitor de pessoal da UFRJ, Agnaldo Fernandes, afirmou que “celebrar Betinho é celebrar a vida humana”. Segundo ele, nosso país passa por uma crise profunda e Betinho traz o evento da resistência. “Em toda sua trajetória de vida, começando pela ditadura, o trabalho pela reforma agrária, a luta pela democracia, pela cidadania, pela própria vida foi marcada pela indignação. Teve uma atuação extremamente pacífica e humanitária, mas carregada de indignação, que ele transformava em ação concreta de mobilização, de organização, de reflexão”, ressaltou.

Edson Watanabe lembrou a período que passou no Japão, onde fez seu doutorado, e disse que naquele país o indivíduo não é algo tão forte como aqui e ressaltou necessidade de diminuirmos o ego em nossa sociedade e aumentarmos o espírito de solidariedade.

Celebrar Betinho_mesa

O encontro foi mediado pelo diretor da Coppe/UFRJ, Edson Watanabe, e, na mesa, contou com a presença do pró-reitor de pessoal da UFRJ, Agnaldo Fernandes, que representou o reitor, Roberto Leher; de Luiz Pinguelli Rosa, professor emérito da Coppe e um dos fundadores do COEP; de André Spitz, presidente do COEP; além do teólogo e convidado especial Leonardo Boff.

Leonardo Boff contou que Betinho retornou ao Brasil, após o exílio, com a ideia de que temos condições de mudar o Brasil, não a partir do Estado, nem dos partidos, mas fundamentalmente através da sociedade civil. Ele elencou uma série de valores que na sua visão moviam o sociólogo: primeiro uma profunda indignação de não aceitar a realidade assim como ela se encontra, de querer mudar; a ética na política; a solidariedade, que era central para ele; a participação, de estar presente nas coisas fundamentais que atendem às demandas populares; a cidadania – ele criou a expressão concidadania, que implicava os cidadãos que se organizam para enfrentar problemas comuns; a tolerância, para além das diferenças ideológicas; e a ação, uma vez que ele sempre se empenhou em mobilizar a sociedade. “Betinho era um libertário e tinha um amor entranhado pelo Brasil. Ele acreditava no futuro desse país”, destacou.

Ao final do evento foram realizadas duas ações culturais:

Inauguração do Jardim da Cidadania

Celebrar Betinho_plantacao Manaca

Maria Nakano planta uma muda de manacá e inaugura o Jardim da Cidadania.

Após as apresentações, Maria Nakano inaugurou o Jardim da Cidadania, situado no Espaço de Convivência, entre os blocos F e G do Centro de Tecnologia da UFRJ, plantando uma muda de manacá, árvore preferida de Betinho. “Betinho falava que enquanto vivem na lembrança, as pessoas não morrem. Por incrível que pareça já se passaram 20 anos e Betinho está tão presente, como se fosse ontem, ele continua presente na memória de todos e isso é muito importante”, disse Maria.

 

 

 

Apresentação de Passinho

O dançarino, comunicador social e conselheiro do Conselho Nacional de Políticas Públicas, Hugo Oliveira, falou sobre o projeto “O Desafio do Passinho: uma estratégia pedagógica para o ensino”, idealizado por ele. Trata-se de concurso que utiliza a dança popular criada nas favelas do Rio de Janeiro como instrumento de valorização, inclusão e transformação de jovens alunos.

Hugo Oliveira e três jovens alunos que fizeram uma breve apresentação de Passinho e ensinaram os passos básicos para os presentes.

Hugo Oliveira e três jovens alunos que fizeram uma breve apresentação de Passinho e ensinaram os passos básicos para os presentes.

Hugo contou que, em 2016, o Passinho foi reconhecido como modalidade de dança pelo Sindicato dos Profissionais de Dança do Rio de Janeiro (SPDRJ), passando a registrar dançarinos profissionais e disse que, em breve, o projeto será lançado em livro para ampliar o trabalho nas escolas.

“Realizamos a categorização do Passinho no Sindicato, então hoje esses jovens são reconhecidos como profissionais em uma modalidade de dança e, a partir do livro, vamos utilizar essa ferramenta dentro das escolas públicas, com esses jovens profissionalizados e trabalhando, criando um modelo de negócio de impacto social que gere renda e dê continuidade na realização da cidadania desses jovens”, explicou Oliveira.

Eliane Araujo e Silvia Sousa, da Rede Mobilizadores/COEP

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