Rede dos Saberes

     

RESUMO:
A Rede dos Saberes será um canal de intercâmbio e geração de conhecimentos aplicáveis de forma prática e objetiva ao desenvolvimento socioeconômico e melhoria da qualidade de vida em comunidades de baixa renda. Envolverá o encontro dos saberes tradicionais acumulados nas comunidades e dos saberes científicos produzidos na universidade. A via principal de registro, compartilhamento e geração de técnicas, tecnologias, estratégias e soluções será um aplicativo para aparelhos móveis conectados à internet. Esse sistema proporcionará o acesso a passo a passos mostrando como resolver demandas das comunidades. O conteúdo poderá estar relacionado a uma ampla gama de temas envolvendo desde técnicas de manejo agrícolas, conservação ambiental, desenvolvimento de equipamentos úteis às atividades produtivas, conhecimentos em informática e tecnologia até metodologias de mobilização e organização comunitárias. Os saberes serão registrados de maneira objetiva e automática em materiais como cartilhas, vídeos e passo a passos. Os materiais podem ser compartilhados e pesquisados de maneira espontânea ou sob demanda de usuários. O processo irá resultar no registro e conservação de saberes populares e na criação de acesso dos comunitários aos conhecimentos acadêmicos.

A ação ocorrerá no âmbito da Rede de Comunidades do Semiárido, formada por cerca de 90 comunidades rurais do Semiárido nos estados de AL, SE, CE, PB, PE, PI, RN. Envolverá alunos de diferentes cursos de graduação e pós-graduação da UFRJ de maneira a envolver um grupo multidisciplinar. O Laboratório Herbert de Souza – Tecnologia e Cidadania vem atuando nesta rede de comunidades desde o ano 2000.

PALAVRAS-CHAVE:
Tecnologia social, desenvolvimento rural, empoderamento comunitário, ecologia dos saberes.

JUSTIFICATIVA:
A parceria da Rede Nacional de Mobilização Social – COEP com a Coppe/UFRJ se estabeleceu em 1993 – com a adesão da UFRJ à rede. Em 2009, a parceria foi reforçada através da criação, nas instalações da Coppe, do Laboratório Herbert de Souza – Tecnologia e Cidadania que abriga todas as atividades desenvolvidas, além da construção de acervos coletivos e a sistematização das práticas sociais já criadas.

A atuação em comunidades rurais, com agricultores familiares de 7 estados do semiárido nordestino (AL, SE, CE, PB, RN, PE e PI), começou no ano 2000. A construção da Rede de Comunidades aconteceu num processo de troca com as associações comunitárias, com a garantia da participação de jovens e mulheres, em cerca de 100 comunidades. A Rede vem se fortalecendo ao longo do tempo, e com o acesso a internet, ficou mais fácil estabelecer esses laços e ir além de atividades geradoras de renda, com o aumento do nível de organização, do protagonismo e da autonomia comunitária, bem como da percepção sobre a importância do associativismo e do debate conjunto na busca de soluções coletivas.

Ao longo da história da Rede, uma quantidade significativa de atividades aconteceu por meio das mobilizações à distância, articuladas e alternadas com encontros presenciais, permitindo o constante debate e interação entre os membros. Isso garantiu o caráter participativo e coletivo das ações. Em 2007 um projeto com 6 universidades públicas do Nordeste – Universidade Federal de Sergipe, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade Federal de Campina Grande, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Piauí e Universidade Regional do Cariri, levou alunos e professores de diferentes áreas de conhecimento para as comunidades com o objetivo de participarem do processo de desenvolvimento que estava sendo construído. Para isso, foram realizadas diferentes iniciativas, envolvendo oficinas, mini-cursos, rodas de conversa, palestras, mesas-redondas, dias-de-campo, workshops, entre outros. As atividades foram desenvolvidas nas comunidades buscando um contraponto com a visão histórica que o ambiente rural é sinônimo apenas de atividades agropecuárias.

A atuação ao longo desses anos mostrou que existe quantidade relevante de conhecimento acumulado por conta dos saberes tradicionais e conhecimentos ancestrais transmitidos oralmente entre gerações. Por outro lado, a Universidade é detentora do conhecimento e de técnicas de grande importância para a promoção e incremento do desenvolvimento comunitário. Neste sentido, a proposta do projeto é de promover o encontro entre estes saberes promovendo uma cogeração de conhecimentos e torná-los disponíveis para reaplicação.

OBJETIVOS:

I. Objetivo Geral
Contribuir para a melhoria das condições de vida em comunidades de baixa renda por meio da criação de uma rede de intercâmbio de técnicas, tecnologias sociais e saberes aplicáveis aos processos de desenvolvimento local, envolvendo a conjugação do conhecimento popular e do acadêmico.

II. Objetivos Específicos
● Propor alternativas de ordem prática para a solução de questões voltadas ao desenvolvimento local sejam elas de cunho técnico, organizacional, ambiental, informático, econômico ou outra.
● Criar uma comunidade on line focada no intercâmbio e / ou desenvolvimento de saberes e técnicas.
● Desenvolver ferramentas on-line privilegiando as voltadas ao uso em equipamentos móveis.
● Aproximar academia e população das comunidades promovendo o intercâmbio e a integração de saberes populares e científicos.
● Registrar saberes tradicionais de maneira a conservá-los para as gerações futuras.
● Tornar o conhecimento acadêmico relacionado acessível às comunidades e aplicável em questões
objetivas relacionadas ao desenvolvimento local.
● Contribuir para a formação acadêmica de estudantes universitários.

OBSERVAÇÕES:
● Envolver pelo menos 21 comunidades mobilizadoras do semiárido nordestino e uma universidade brasileira, que atuarão sobre o grupo de cerca de 100 comunidades da rede;
● Formar equipe de membros do corpo docente e discente da universidade;
● Formar equipe de mobilizadores locais formada por lideranças comunitárias jovens;
● Realizar reuniões de implantação do projeto com comunidades parceiras participantes da Rede de Comunidades do Semiárido;
● Prospectar tecnologias sociais e saberes populares passíveis de documentação para criação dos primeiros itens compartilháveis na rede;
● Catalogar possíveis conhecimentos e técnicas desenvolvidos no âmbito da universidade e passível de aplicação nas comunidades;
● Criar canal de comunicação em redes sociais para interação das equipes em campo e na(s) universidade(s).

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