Entrevista-Fabrício Erick de Araújo O potencial de transformação social por meio das tecnologias sociais é o tema central da entrevista concedida ao LABetinhopelo assessor da Gerência de Parcerias Estratégicas e Modelagem de Programas e Projetos da Fundação Banco do Brasil, Fabrício Erick de Araújo.

O assessor da Gerência de Parcerias Estratégicas e Modelagem de Programas e Projetos da Fundação Banco do Brasil, Fabrício Erick de Araújo, falou ao LABetinho sobre os programas e projetos de incentivo e disseminação de tecnologias sociais enquanto soluções que contribuem para a transformação social de comunidades espalhadas por todo o país.

Nesta entrevista, Fabrício trouxe como exemplo a construção das cisternas de placa, uma tecnologia social que já foi reaplicada em mais de 1,3 milhão de unidades, em todo Semiárido brasileiro; e que com apoio da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) será reaplicada no Sahel, continente africano.

As tecnologias sociais certificadas pela FBB estão cadastradas no Banco de Tecnologias Sociais, disponível pela internet. As tecnologias são captadas por meio do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, que este ano tem inscrições previstas já para o próximo mês (fevereiro/2019).

“De 2001 a 2017, recebemos um total de 7.030 inscrições, certificamos 1.347 tecnologias sociais e concedemos R$ 4,1 milhões em premiações. Hoje 986 iniciativas compõem o BTS, distribuídas nos temas dealimentação, energia, habitação, meio ambiente, renda, recursos hídricos e saúde”, conta Araújo.

Saiba mais na entrevista.

O sr. pode nos falar sobre o poder de transformação social a partir da criação, do registro e da difusão de Tecnologias Sociais?

Fabrício Araújo – A Fundação BB desenvolve suas atuações com a temática da tecnologia social por meio do seu Programa estruturado Banco de Tecnologias Sociais. Ele constitui-se numa estratégia de estímulo, difusão e apoio à reaplicação de iniciativas sociais voltadas ao desenvolvimento sustentável.

O Programa conta com dois pilares importantes: o Prêmio FBB de Tecnologia Social, com a função de identificar, certificar e premiar iniciativas com resultados de transformação social para as comunidades do país; e o Banco de Tecnologias Sociais, cadastro online que disponibiliza para sociedade as tecnologias certificadas por meio do Prêmio.

Durante o Prêmio, no processo de certificação das tecnologias sociais, um dos critérios que analisamos é o potencial de transformação social da iniciativa, o quanto aquela ação impactou no desenvolvimento da comunidade atendida.

Assim, visamos contribuir para a melhoria das condições sociais das comunidades por meio da premiação, difusão e reaplicação de tecnologias sociais efetivas na solução de problemas sociais do país. Entendemos que promover as tecnologias sociais juntamente com outras instituições, para disseminar o uso de soluções sociais efetivas, contribui para a transformação social do país.

Como se deu a formação do Banco de Tecnologias Sociais da FBB? O sr. pode destacar uma ou mais iniciativas que reflitam a importância do acervo?

Fabrício Araújo – A vocação da Fundação BB para o tema tecnologia existe desde sua criação em 1985, onde nossas atividades foram iniciadas a partir de dois fundos de investimento mantidos pelo Banco do Brasil: Fundo de Incentivo à Pesquisa Técnico-Científica (Fipec) e o Fundo de Desenvolvimento Comunitário (Fundec),promovendo assistência à pesquisa e a comunidades urbanas e rurais, mas sem mensurar os resultados desse investimento.

Desde 1999, pesquisando e consolidando dados sobre estudos e projetos em saúde, educação ambiental e geração de renda, a Fundação BB percebeu que não havia informações sobre uma atuação mais específica de nenhuma instituição no campo das tecnologias destinadas à área social ou tecnologias efetivas na resolução de problemas sociais.

O conceito de Tecnologia Social era o atalho que permitiria unir os caminhos já percorridos pela Fundação BB e levá-la para o seu futuro, tornando seu trabalho importante e reconhecido no âmbito nacional.

Criado em 2001, o Prêmio e o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação BB foi concebido e formatado com base no DNA da organização, que remete ao conceito de banco, do nosso instituidor. A ideia-força é a de “depósitos” e “saques” de tecnologias sociais, sendo que a cada “saque” ou replicação, o capital social acumulado se multiplica.

Uma tecnologia social que podemos destacar é a cisterna de placas, certificada em 2001, certame do qual foi finalista. Hoje essa tecnologia já foi reaplicada em mais de 1,3 milhão de unidades, em todo Semiárido brasileiro, e já alcançou visibilidade internacional. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) está levando essa tecnologia para ser reaplicada no Sahel, faixa que vai de leste a oeste do continente africano, entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. É uma área com clima parecido com o do Semiárido brasileiro.

O sr. pode nos falar sobre o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais? Quais os grandes números, os destaques?

Fabrício Araújo – Para captar as diversas tecnologias sociais desenvolvidas no Brasil desde 2001, a FBB realiza, bienalmente, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Atualmente, o Prêmio é um dos principais eventos do Terceiro Setor no país e o principal evento da Fundação Banco do Brasil. Neste ano [2019] será realizada a 10ª edição.

O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social vem consolidando, cada vez mais, o conceito de Tecnologia Social e o nome da Fundação à frente do tema no país.

Os principais critérios adotados para a certificação e premiação de uma tecnologia social são: efetividade, inovação, transformações sociais obtidas, envolvimento da comunidade e potencial de reaplicação.

As tecnologias sociais certificadas pela Fundação Banco do Brasil ficam disponíveis no Banco de Tecnologias Sociais (BTS)[http://tecnologiasocial.fbb.org.br/]. Desta forma, gestores públicos, empreendedores sociais e lideranças comunitárias contam com centenas de experiências cadastradas e podem detalhar cada uma delas, possibilitando a sua reaplicação e consequente transformação social de suas comunidades.

De 2001 a 2017, recebemos um total de 7.030 inscrições, certificamos 1.347 tecnologias sociais e concedemos R$ 4,1 milhões em premiações. Hoje 986 iniciativas compõem o BTS, distribuídas nos temas dealimentação, energia, habitação, meio ambiente, renda, recursos hídricos e saúde.

Nesta 10ª edição, que tem previsto o início das inscrições em fevereiro de 2019, estaremos voltados à identificação de iniciativas desenvolvidas em países da América Latina e Caribe que possam ser reaplicadas no Brasil. Ao todo, serão 6 (seis) categorias de premiação, sendo 5 (cinco) nacionais e 1 (uma) internacional.

As tecnologias vencedoras de cada categoria receberão um prêmio de R$ 50.000,00 e as que se classificarem em 2º e 3º lugar, em cada categoria, receberão um prêmio de R$ 30.000,00 e R$ 20.000,00 para utilização em atividades de aperfeiçoamento ou reaplicação da Tecnologia Social.

O sr. pode nos falar sobre os editais de seleção para apoio e reaplicação de tecnologias sociais que visam a geração de trabalho e renda?

Fabrício Araújo – A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram em 2018 o 1º Edital de Tecnologia Social, que selecionou projetos de reaplicação de tecnologias sociais com foco em geração de trabalho e renda em qualquer parte do Brasil.
Ao todo foram habilitadas 150 entidades das cinco regiões brasileiras – 13 no Centro-Oeste, 9 no Norte, 59 no Nordeste, 28 no Sul e 41 no Sudeste.

O investimento total na seleção é de R$ 10 milhões, e cada proposta concorrente deve ter valor mínimo de R$ 500 mil e máximo de R$ 1 milhão. Para concorrer, as entidades sem fins lucrativos precisavam comprovar ter mais de dois anos de existência e sede ou experiência de atuação na região onde pretendem implantar o projeto. Além disso, a reaplicação deve ser necessariamente de iniciativas listadas no Banco de Tecnologias Sociais.

As entidades com diretorias compostas por, no mínimo, 50% de mulheres ou que possuam tecnologia certificada pela Fundação BB recebem bonificação extra, conforme os critérios do edital.

Entrevista concedida à Sílvia Sousa